18 de agosto de 2026 · Dr. Leonardo Caetano
Prótese de silicone em São Paulo: guia completo 2026
Quase toda consulta de mama em Vila Mariana começa do mesmo jeito: a paciente abre o celular e mostra três fotos salvas há meses. Duas são de influenciadoras, uma é de uma amiga. Ela quer "esse resultado" e chega com um número na cabeça — 300 ml, quase sempre —, ouvido de alguém que operou. O trabalho da consulta é justamente traduzir aquela imagem para a anatomia que está na frente do espelho, que é outra.
A mamoplastia de aumento coloca uma prótese de silicone para aumentar o volume das mamas. A cirurgia leva de 1 a 2 horas, é feita sob anestesia geral ou peridural com sedação, e o retorno ao trabalho ocorre entre 5 e 7 dias. O resultado final aparece por volta de 3 meses.
Quem é candidata à mamoplastia de aumento
A cirurgia de prótese de silicone está entre as três mais realizadas no Brasil todos os anos, segundo os levantamentos da ISAPS. A indicação clássica é a mama com pouco volume em uma paciente com peso estável, saúde em dia e expectativa compatível com a própria estrutura corporal — largura de tórax, distância entre as mamas, qualidade e espessura da pele.
Existe, porém, uma distinção que resolve boa parte das consultas e quase nunca vem pronta de casa: prótese aumenta volume, não levanta mama. Quando o mamilo já está na altura do sulco mamário ou abaixo dele, colocar implante isolado tende a piorar a impressão de queda, porque acrescenta peso a um tecido que já cedeu. Nesses casos, a conversa é sobre mastopexia — com ou sem prótese associada.
Duas outras situações merecem franqueza na consulta. A primeira é assimetria: as mamas nunca são idênticas, e a cirurgia frequentemente usa próteses de volumes diferentes para aproximar os lados, não para igualá-los. A segunda é a idade mínima — a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica orienta aguardar o fim do desenvolvimento mamário, em geral a partir dos 18 anos.
Como escolher a prótese: volume, perfil, formato e superfície
A escolha não se resume ao número em mililitros. São quatro decisões independentes, e o volume é apenas a mais comentada:
- Volume — medido em mililitros, não em "números de sutiã". A faixa mais usada vai de 200 a 375 ml, e o limite real é dado pela largura da base da mama: uma prótese mais larga que o tórax da paciente aparece como borda visível na lateral e tende a afastar os mamilos com o tempo.
- Perfil (projeção) — para um mesmo volume, o perfil alto projeta mais para frente e ocupa base menor; o perfil moderado se espalha mais e costuma dar aparência mais natural. É a decisão que mais muda o resultado visual e a que menos aparece nas redes sociais.
- Formato — redonda ou anatômica (gota). A redonda dá mais preenchimento no polo superior; a anatômica distribui volume para a metade inferior. Na prática, a maioria dos casos é bem resolvida com redonda de perfil adequado, e a gota fica reservada a anatomias específicas.
- Superfície e marca — texturizada, lisa ou de superfície nanotexturizada, sempre com registro na Anvisa. Exija o certificado do implante e guarde as etiquetas entregues após a cirurgia: elas trazem lote e número de série, e são o que permite rastrear o produto anos depois.
Um recurso simples ajuda mais que qualquer simulação digital: provar próteses de teste dentro de um sutiã, com a paciente em pé, de roupa, olhando no espelho. É grosseiro, mas alinha expectativa melhor que imagem editada.
Onde a prótese é posicionada — e por onde ela entra
O plano de colocação é decidido pela espessura do tecido que a paciente tem para cobrir o implante. São três opções, e nenhuma é universalmente superior:
- Subglandular — atrás da glândula, sobre o músculo. Recuperação mais confortável e formato previsível, mas exige cobertura de tecido suficiente; em paciente magra, a borda da prótese pode ficar perceptível.
- Subfascial — abaixo da fáscia do peitoral, plano muito utilizado no Brasil. Acrescenta uma camada de cobertura sem a desvantagem de descolar o músculo.
- Submuscular ou dual plane — parcialmente sob o músculo peitoral. É a escolha habitual em pacientes com pouco tecido mamário, porque disfarça melhor a borda superior do implante. Em compensação, o pós-operatório imediato dói mais e a mama pode se movimentar com a contração do peitoral.
Sobre a via de acesso, a incisão no sulco mamário (submamária) é a mais usada: dá visão direta do bolsão, tem cicatriz de 4 a 5 cm escondida na dobra e é a que menos manipula tecido glandular. As vias periareolar e axilar são alternativas, com indicações e limitações próprias.
Recuperação semana a semana
Os prazos abaixo são a referência que uso na orientação pré-operatória, e variam conforme o plano escolhido — o submuscular costuma somar alguns dias de desconforto:
- Primeiras 72 horas: sensação de peso e aperto no tórax, mais que dor aguda. Sutiã cirúrgico desde a sala, analgesia programada e caminhadas curtas dentro de casa já no primeiro dia.
- Dias 5 a 7: retorno ao trabalho administrativo na maioria dos casos. Nada de dirigir enquanto houver limitação para girar o volante ou uso de analgésico forte.
- Semanas 2 a 4: sutiã cirúrgico em uso contínuo, sem levantar peso e sem elevar os braços acima da linha dos ombros. Dormir de barriga para cima nesse período.
- 30 a 45 dias: liberação progressiva de aeróbico leve. Exercício de peitoral e impacto ficam para depois de 60 dias, conforme a avaliação de retorno.
- 3 meses: as próteses "acomodam" — descem para a posição definitiva e o polo superior perde o aspecto empinado do começo. É o primeiro momento razoável para julgar o resultado.
- 6 a 12 meses: maturação da cicatriz, que clareia progressivamente. Proteção da cicatriz contra sol direto por pelo menos 6 meses.
Riscos, durabilidade e a pergunta da troca
A complicação mais característica é a contratura capsular: o organismo forma uma cápsula fibrosa ao redor de qualquer implante, e em uma parcela das pacientes essa cápsula endurece e deforma a mama. Os graus que exigem reoperação aparecem em uma minoria dos casos, e o risco aumenta com hematoma, infecção e tabagismo — mais um motivo para suspender o cigarro por 30 dias antes e 30 dias depois.
Outros pontos que merecem estar na mesa antes de operar: rotação do implante anatômico, alteração transitória da sensibilidade do mamilo, ondulações visíveis (rippling) em pacientes muito magras e, raramente, ruptura. O linfoma anaplásico de grandes células associado a implante mamário (BIA-ALCL) é uma entidade rara, ligada sobretudo a determinadas superfícies texturizadas, e não contraindica a cirurgia — mas deve ser informado e acompanhado.
Sobre validade: não existe prazo de 10 anos para trocar prótese. A recomendação atual é acompanhamento, não substituição por calendário. A troca se justifica quando há contratura, ruptura, alteração de posição ou desejo de mudar volume. Prótese não impede amamentar nem impede fazer mamografia — basta informar ao serviço de radiologia, que usa manobras específicas para o exame.
Leia também
Perguntas frequentes sobre prótese de silicone
Quanto tempo dura uma prótese de silicone?
Não há prazo fixo de validade. As próteses atuais têm durabilidade longa e a orientação é acompanhamento periódico, não troca por calendário. A substituição é indicada quando surge contratura capsular, ruptura, mudança de posição ou desejo de alterar o volume.
Prótese de silicone impede amamentar?
Não. A cirurgia preserva a glândula e os ductos mamários, e a maioria das mulheres com implante amamenta normalmente. A via de acesso influencia: o sulco mamário é a que menos manipula tecido glandular. Vale informar a intenção de engravidar já na consulta.
Quando posso voltar a treinar depois da prótese de mama?
Caminhada leve é liberada por volta de 30 a 45 dias. Musculação, exercício de peitoral e atividades de impacto ficam para depois de 60 dias, sempre conforme a avaliação de retorno. Antecipar treino de membros superiores é o erro que mais desloca a prótese na fase inicial.
Ficou com dúvidas sobre prótese de silicone e sobre o que se aplica ao seu caso? O Dr. Leonardo Caetano atende em Vila Mariana, São Paulo. 📱 WhatsApp: (11) 99584-2700 | 🗓️ Agende também pelo Doctoralia.
Escrito por Dr. Leonardo Caetano, CRM-SP 128.462 · RQE 64.191, membro titular da SBCP. Conteúdo educativo, não substitui avaliação médica individual.