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16 de agosto de 2026 · Dr. Leonardo Caetano

Câncer de pele: cirurgia e reconstrução em São Paulo

Quase sempre começa igual. Uma casquinha no nariz que sangra ao secar o rosto e volta a fechar, uma "espinha" na orelha que já dura oito meses, uma mancha nas costas que a filha reparou e achou diferente. A pessoa adia porque não dói — e câncer de pele quase nunca dói. Quando chega ao consultório em Vila Mariana, a lesão costuma ter mais de um ano de história e uma frase pronta: "achei que era só ressecamento".

A cirurgia de câncer de pele consiste em retirar a lesão com uma margem de pele sã ao redor, confirmar no exame anatomopatológico que essa margem ficou livre de tumor e reconstruir a área — por sutura direta, retalho local ou enxerto. Na maioria dos casos é feita com anestesia local e alta no mesmo dia.

Câncer de pele em números: o mais comum do Brasil

O câncer de pele é o tumor maligno mais frequente no país. As estimativas do INCA apontam cerca de 220 mil casos novos por ano de câncer de pele não melanoma, algo em torno de 30% de todos os tumores registrados no Brasil. É também o de melhor prognóstico: tratado no início, o não melanoma tem taxa de cura acima de 90%. O problema não é a doença ser agressiva — é o diagnóstico chegar tarde.

Os três tipos que importam na prática se comportam de formas muito diferentes:

  • Carcinoma basocelular — o mais comum, cerca de 7 em cada 10 casos. Cresce devagar, praticamente não dá metástase, mas destrói o que está ao redor por vizinhança. É o que aparece como pápula perolada, com pequenos vasinhos, que sangra e cicatriza repetidamente. Ignorado por anos em nariz ou pálpebra, deixa de ser um problema pequeno.
  • Carcinoma espinocelular — cerca de 2 em cada 10 casos. Costuma surgir em pele muito exposta ao sol e em lesões prévias (queratoses actínicas), tem aspecto mais endurecido e descamativo, e tem capacidade real de dar metástase quando negligenciado. Exige margens maiores e acompanhamento mais próximo.
  • Melanoma — menos de 5% dos casos, porém responsável pela maior parte das mortes por câncer de pele. É o que muda: mancha que cresce, altera cor, borda ou espessura. A conduta segue regras próprias, com margens definidas pela profundidade do tumor e, em certos casos, pesquisa de linfonodo sentinela.
  • A regra do ABCDE ajuda no autoexame de manchas: Assimetria, Bordas irregulares, Cores variadas, Diâmetro acima de 6 mm e Evolução — qualquer mudança recente. Para os carcinomas, o sinal mais confiável não é a aparência: é a ferida que não fecha em 4 semanas.

Fatores que aumentam risco de forma consistente: pele clara que queima antes de bronzear, exposição solar acumulada ao longo da vida (não só a do último verão), queimaduras com bolha na infância, trabalho ao ar livre, uso de câmara de bronzeamento — proibida no Brasil desde 2009 —, imunossupressão e história pessoal ou familiar de câncer de pele.

Como é a cirurgia de câncer de pele, passo a passo

O tratamento padrão do câncer de pele é cirúrgico, e a lógica é simples: retirar todo o tumor de uma vez, com uma faixa de pele saudável em volta, e ter isso confirmado no microscópio.

Na prática, a sequência é esta: a lesão é medida e demarcada com a margem de segurança planejada — em geral de 3 a 5 mm para o basocelular e de 4 a 6 mm ou mais para o espinocelular, com regras específicas quando se trata de melanoma. Aplica-se anestesia local, a lesão é retirada em profundidade adequada e a peça é enviada para o exame anatomopatológico, que dirá se as margens ficaram livres. A parte cirúrgica costuma levar de 30 a 60 minutos e o paciente vai para casa no mesmo dia.

Em áreas nobres — nariz, pálpebra, orelha, lábio —, em tumores recidivados ou de limites mal definidos, existe a cirurgia micrográfica de Mohs, na qual as margens são examinadas durante o próprio ato cirúrgico. Ela permite poupar ao máximo o tecido sadio, com a maior taxa de cura descrita, e é frequentemente combinada: o dermatologista faz a remoção micrográfica e o cirurgião plástico reconstrói em seguida.

Se o resultado do exame vier com margem comprometida, é preciso ampliar a retirada. Isso não é falha nem má notícia — é exatamente para isso que o exame existe. Mais vale uma segunda cirurgia programada do que um tumor deixado para trás sob uma cicatriz bonita.

Reconstrução: sutura direta, retalho ou enxerto

Retirar o tumor resolve a doença. Reconstruir resolve a vida da pessoa depois — e é aqui que entra a formação do cirurgião plástico, que trabalha o fechamento pensando em função e em aparência ao mesmo tempo. Existem três caminhos:

  • Fechamento direto — quando a pele ao redor permite aproximar as bordas sem tensão. A cicatriz é posicionada, sempre que possível, sobre rugas e linhas naturais do rosto, onde se disfarça melhor. É a solução da maioria dos casos pequenos.
  • Retalho local — tecido vizinho, com sua própria circulação, é deslocado para cobrir a falha. É o recurso preferido em nariz, pálpebra e orelha, porque traz pele de cor e espessura parecidas e evita que a cicatriz repuxe estruturas móveis, como a borda da pálpebra ou a asa do nariz.
  • Enxerto de pele — um fragmento retirado de outra área (atrás da orelha, região supraclavicular, coxa) é transferido sem vasos próprios e precisa "pegar" no leito receptor. É a alternativa quando não há tecido vizinho disponível. Tem risco pequeno, porém real, de perda parcial, e costuma deixar diferença de cor mais perceptível.
  • Em falhas extensas, a reconstrução pode ser planejada em etapas, com semanas de intervalo entre elas. É mais comum em tumores grandes de nariz e em pacientes com múltiplas lesões.

Recuperação, cicatriz e acompanhamento

A recuperação costuma surpreender pela tranquilidade. A linha do tempo habitual:

  • Primeiras 48 horas: curativo, gelo nas primeiras horas e dor leve, controlada com analgésico simples. Inchaço e roxo são esperados, sobretudo perto dos olhos.
  • 5 a 7 dias: retirada dos pontos na face. Em tronco e membros, o prazo vai de 10 a 14 dias, porque a pele é mais espessa e sofre mais tração.
  • 1 a 3 semanas: sai o resultado do anatomopatológico e a conduta é definida — alta do tratamento ou ampliação de margem.
  • 3 a 6 meses: fase em que a cicatriz fica mais avermelhada e endurecida antes de melhorar. É quando entram massagem, silicone em placa ou gel e, quando indicado, outros recursos.
  • 6 a 12 meses: maturação da cicatriz, com clareamento progressivo. Proteção solar rigorosa nesse período é o que evita a marca escura permanente.

Depois da alta cirúrgica, o acompanhamento não termina — e essa é a parte que mais se perde. Quem teve um câncer de pele tem risco aumentado de ter outro: uma parcela relevante dos pacientes desenvolve uma segunda lesão nos anos seguintes, em geral em outra área também exposta ao sol. Consulta dermatológica periódica, com mapeamento de lesões quando indicado, faz parte do tratamento.

Prevenção: o que de fato reduz risco

Nenhum tratamento supera não precisar dele. O que tem efeito comprovado é modesto e repetitivo:

  • Protetor solar FPS 30 ou maior todos os dias, reaplicado a cada 2 horas de exposição — e depois de nadar ou suar. Sem reaplicação, a proteção real é uma fração da que está no rótulo.
  • Evitar sol direto entre 10h e 16h, quando a radiação ultravioleta B é mais intensa.
  • Barreira física: chapéu de aba larga, camisa com proteção UV, óculos escuros. Em quem trabalha ao ar livre, isso pesa mais que qualquer creme.
  • Autoexame mensal da pele, inclusive couro cabeludo, orelhas, dorso e pés — regiões que ninguém olha e onde o diagnóstico costuma atrasar.
  • Procurar avaliação diante de qualquer ferida que não fecha em 4 semanas, mancha que muda ou lesão que sangra sem trauma. Essa é a regra prática que salva a maior parte dos casos.

Sobre custos e cobertura: a retirada de câncer de pele e a reconstrução necessária têm natureza reparadora, e não estética. Costumam ter cobertura por planos de saúde, mas a autorização depende do contrato e dos códigos do procedimento — vale confirmar antes, com o relatório médico em mãos, para não descobrir isso na véspera.

Perguntas frequentes sobre cirurgia de câncer de pele

Câncer de pele tem cura?

Na grande maioria dos casos, sim. O câncer de pele não melanoma tratado no início tem taxa de cura acima de 90% com a retirada cirúrgica completa. O prognóstico piora quando a lesão é ignorada por anos ou quando se trata de melanoma diagnosticado em fase avançada.

A cirurgia de câncer de pele deixa cicatriz muito aparente?

Toda retirada deixa cicatriz, mas ela pode ser bem posicionada. Sempre que possível, a linha de sutura é colocada sobre rugas e limites naturais do rosto. Em áreas como nariz e pálpebra, o retalho local costuma dar resultado melhor que o enxerto, por trazer pele semelhante.

Quem opera câncer de pele: dermatologista ou cirurgião plástico?

Os dois atuam, com frequência em conjunto. O dermatologista faz o diagnóstico e trata muitas lesões, inclusive por cirurgia micrográfica. O cirurgião plástico é acionado sobretudo quando a falha exige reconstrução com retalho ou enxerto, ou está em área nobre da face.

Tem uma lesão de pele que não cicatriza ou uma mancha que mudou? Não espere passar. O Dr. Leonardo Caetano atende em Vila Mariana, São Paulo. 📱 WhatsApp: (11) 99584-2700 | 🗓️ Agende também pelo Doctoralia.

Escrito por Dr. Leonardo Caetano, CRM-SP 128.462 · RQE 64.191, membro titular da SBCP. Conteúdo educativo, não substitui avaliação médica individual.

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